Investigadores da Universidade Sechenov, na Rússia, fizeram uma descoberta significativa, demonstrando que a lactoferrina – uma proteína natural encontrada no leite e nas lágrimas – possui a capacidade única de reorientar o processo de cicatrização dos tecidos. Em vez da formação de cicatrizes, esta proteína promove uma regeneração completa. Em experiências realizadas em modelos de cartilagem auricular de coelhos, observou-se que a lactoferrina não só acelerou a cicatrização, como também iniciou a restauração integral da estrutura da cartilagem, resultando num tecido idêntico à cartilagem saudável. Os detalhes desta descoberta foram publicados na prestigiada International Journal of Molecular Sciences (IJMS).
A ação da lactoferrina consiste em aumentar a viabilidade celular e estimular a produção de proteínas cruciais para a formação de cartilagem saudável, como o colagénio tipo II e o fator Sox9. Decorridos apenas dois meses após a lesão, as áreas tratadas começaram a formar tecido cartilaginoso maduro, caracterizado por uma densa rede de fibras elásticas. Aos 90 dias, a área danificada foi completamente substituída por uma cartilagem elástica funcional.
Alexey Faizullin, chefe do laboratório de análise microscópica digital, sublinhou a importância desta descoberta, afirmando que ela sugere a possibilidade de “reconfigurar” o processo de cicatrização natural. Isto permitiria ir além do simples preenchimento de um defeito, rumo à recriação da arquitetura complexa original do tecido.
A lactoferrina já é amplamente utilizada em diversas áreas, incluindo a medicina e a cosmética. A sua segurança comprovada, o custo de produção acessível e a alta biocompatibilidade tornam-na um componente extremamente promissor para o desenvolvimento de uma nova geração de tecnologias médicas regenerativas.
Curiosamente, investigações anteriores também indicaram que o estalar e o ranger dos joelhos não são, por si só, um indicativo do início da artrite.
