A sensação de coceira nos ouvidos é um incômodo comum, podendo surgir de diversas origens. Entre as causas mais frequentes estão condições dermatológicas como dermatite, acúmulo excessivo de cera, infecções como otite externa, ou doenças crônicas como a psoríase. O uso de aparelhos auditivos ou a manipulação do canal auditivo com objetos também podem desencadear esse sintoma.
Dependendo da causa subjacente, a coceira auricular pode vir acompanhada de outros sinais, como descamação da pele, vermelhidão, zumbido persistente ou dor.
O tratamento para aliviar a coceira no ouvido é específico para cada caso e deve ser determinado por um profissional de saúde. Geralmente, inclui o uso de cremes emolientes, pomadas ou gotas otológicas que contenham corticoides, anti-inflamatórios ou antibióticos, conforme a necessidade.
A seguir, detalhamos as principais causas da coceira auricular:
1. Dermatite Seborreica
A dermatite seborreica é uma condição inflamatória cutânea resultante de uma resposta imune exagerada a um fungo saprófita da pele, o Malassezia. Este microrganismo é naturalmente encontrado na flora cutânea.
Caracteriza-se por provocar prurido (coceira) no ouvido, acompanhado de descamação amarelada e oleosa. A inflamação pode estender-se ao canal auditivo e à região da linha do cabelo atrás da orelha.
O que fazer: Recomenda-se procurar um otorrinolaringologista para um diagnóstico preciso e a definição do plano de tratamento. O especialista pode prescrever pomadas, gotas ou cremes que contenham corticoides, imunossupressores ou agentes antifúngicos.
2. Acúmulo de Cerume (Cera)
O acúmulo excessivo de cerume, conhecido como rolha de cera ou cerume impactado, pode obstruir o canal auditivo e desencadear múltiplos sintomas. A coceira auricular é um dos mais relatados.
Outros possíveis sintomas incluem diminuição da capacidade auditiva, otalgia (dor de ouvido), vertigem, zumbido e uma sensação de ouvido abafado ou obstruído.
O que fazer: A consulta com um otorrinolaringologista é crucial. O profissional tem as ferramentas e o conhecimento para remover a cera impactada com segurança, aliviando os sintomas. Os métodos de remoção podem incluir a aplicação de soluções otológicas amolecedoras de cerume, irrigação com soro fisiológico ou água morna, ou procedimentos de sucção e curetagem.
3. Dermatite de Contato
A dermatite de contato manifesta-se no ouvido externo através de coceira intensa, descamação, ressecamento e alterações na coloração da pele, que pode ficar avermelhada ou escurecida.
Essa reação ocorre quando a pele entra em contato direto com substâncias irritantes ou alergênicas, seja ao redor ou dentro das orelhas. Exemplos comuns incluem produtos capilares (xampu, gel, spray, tinturas), perfumes, bijuterias, protetores auriculares ou fones de ouvido.
O que fazer: Em caso de suspeita, é fundamental buscar a avaliação de um otorrinolaringologista ou dermatologista. O especialista confirmará o diagnóstico e orientará o tratamento, que geralmente envolve o uso de cremes emolientes e corticosteroides tópicos. É igualmente crucial identificar e evitar o contato com a substância causadora dos sintomas.
4. Psoríase
A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele que pode afetar o ouvido, manifestando-se com placas vermelhas bem definidas, descamação prateada, eventual secreção e prurido auricular de intensidade variável.
As lesões psoriáticas podem aparecer em diversas áreas, incluindo a região retroauricular (atrás da orelha) e o interior do canal auditivo.
O que fazer: É essencial consultar um dermatologista para obter um diagnóstico e iniciar o tratamento mais apropriado. O objetivo é controlar os sintomas e prevenir a recorrência das crises. A terapia pode incluir o uso de corticosteroides tópicos, bem como outros agentes como tacrolimo, pimecrolimo e tazaroteno.
5. Otite Externa
A otite externa, também conhecida como “ouvido de nadador”, é uma inflamação que afeta a porção mais externa do canal auditivo. Ela pode provocar sintomas como dor, prurido intenso no ouvido, descamação, vermelhidão e, em alguns casos, secreções.
Geralmente, esta condição é desencadeada por infecções bacterianas, sendo comum em pessoas que se expõem frequentemente à água, como nadadores.
O que fazer: A avaliação médica é fundamental para determinar a causa exata da otite externa e iniciar o tratamento adequado. Frequentemente, a terapia envolve a limpeza do ouvido com soluções específicas, como soro fisiológico ou soluções alcoólicas, aplicadas em gotas. Dependendo da etiologia da infecção, podem ser prescritos medicamentos como corticoides ou antibióticos.
6. Utilização de Aparelhos Auditivos
A coceira no ouvido pode ser um efeito colateral da utilização de aparelhos auditivos. Estes dispositivos podem criar um ambiente mais úmido dentro do canal auditivo, o que favorece a proliferação de fungos e bactérias.
Quando o uso do aparelho auditivo se combina com o acúmulo de cera, a flora bacteriana natural do canal pode ser alterada, aumentando o risco de infecções como a otite externa, na qual a coceira intensa é um sintoma proeminente.
O que fazer: A escolha do aparelho auditivo deve ser sempre guiada por um profissional, assegurando que o dispositivo seja o mais adequado para o usuário. Além disso, é crucial adotar hábitos de higiene rigorosos para prevenir infecções e inflamações: remover o aparelho durante atividades físicas ou banhos e realizar a limpeza regular do dispositivo.
7. Otite Fúngica (Otomicose)
A otite fúngica, ou otomicose, é uma infecção do canal auditivo causada por fungos, sendo os gêneros Aspergillus e Candida os mais comuns.
O sintoma predominante é a coceira no ouvido, frequentemente acompanhada pela presença de um material espesso e de aspecto atípico no interior do canal.
O que fazer: A consulta com um otorrinolaringologista é indispensável. O especialista realizará uma limpeza cuidadosa para remover secreções, detritos e os fungos do canal auditivo. Além disso, prescreverá a aplicação de gotas otológicas com agentes antifúngicos, corticoides ou soluções contendo ácido acético, conforme a avaliação clínica.
8. Uso Inadequado de Objetos no Canal Auditivo
A coceira nos ouvidos pode ser provocada pelo uso de objetos inadequados para a limpeza ou manipulação do canal auditivo. Itens como cotonetes, grampos, hastes metálicas ou palitos de dente podem causar microlesões e irritação.
Essas lesões facilitam a entrada de bactérias e outros microrganismos, aumentando o risco de infecções, que por sua vez, resultam em coceira.
O que fazer: Para prevenir a coceira e possíveis danos, é fundamental evitar a introdução de quaisquer objetos no canal auditivo. Se surgirem sintomas como dor, secreção ou vermelhidão após a manipulação, é imperativo procurar um otorrinolaringologista para avaliação e tratamento.

