
Investigadores do Albert Einstein College of Medicine descobriram que o glioblastoma, uma das formas mais agressivas de cancro cerebral, se estende para além do cérebro, afetando também os ossos do crânio. O seu trabalho, publicado na revista Nature Neuroscience, revelou que o tumor destrói as suturas cranianas, altera a composição da medula óssea e perturba gravemente as funções do sistema imunitário.
Experiências realizadas em ratos de laboratório e a análise de imagens de pacientes mostraram que a presença de glioblastoma leva ao enfraquecimento dos ossos do crânio e ao alargamento dos canais que conectam o crânio ao cérebro. Através destas vias expandidas, células inflamatórias da medula óssea migram ativamente para o tumor, contribuindo para a sua maior agressividade e resistência aos tratamentos aplicados.
Os cientistas também registaram um desequilíbrio significativo na composição das células imunitárias: observou-se um aumento no número de neutrófilos inflamatórios e um desaparecimento quase completo dos linfócitos B protetores. Esta descoberta pode explicar por que as abordagens terapêuticas tradicionais, focadas exclusivamente no tecido cerebral, são frequentemente ineficazes.
Curiosamente, as tentativas de abrandar a destruição óssea com medicamentos para a osteoporose levaram a resultados imprevisíveis – num dos casos, isso até acelerou o crescimento do tumor e reduziu a eficácia da imunoterapia. Os autores do estudo insistem que o glioblastoma deve ser considerado uma doença sistémica. Apelam ao desenvolvimento de novas estratégias de tratamento que considerem as alterações complexas não só no cérebro, mas também nos ossos e no sistema imunitário do corpo.
