Escassez Global de Medicamentos: Uma Ameaça Sistémica à Saúde Pública

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Ilustração de medicamentos
Foto: Unsplash

Interrupções no fornecimento de medicamentos vitais estão a emergir como uma ameaça sistémica à saúde pública global. Esta é a advertência de investigadores num novo estudo publicado na revista The Lancet Public Health (LPH). Uma equipa internacional analisou dados de tratamento de mais de 600 milhões de pacientes em 18 países europeus e nos Estados Unidos, cobrindo o período de 2010 a 2024, e demonstrou que a escassez de medicamentos está a alterar a acessibilidade das terapias e os próprios regimes de tratamento.

Os cientistas constataram que a utilização de oito medicamentos específicos diminuiu em mais de um terço após os relatos de interrupções no fornecimento. Entre os mais afetados estavam medicamentos amplamente utilizados, como o antibiótico amoxicilina e a vareniclina, que auxilia na cessação tabágica. Em vários casos, foram observadas alterações nas indicações e dosagens: por exemplo, o sarilumab, utilizado para a artrite reumatoide, passou a ser prescrito com menos frequência, em doses mais baixas e com uma duração de tratamento mais curta.

Segundo os autores, estas interrupções não só limitam o acesso dos pacientes a medicamentos essenciais, como também forçam os médicos a modificar as abordagens de tratamento, o que pode levar a complicações e a um aumento dos custos dos cuidados de saúde. Os especialistas sublinham que, uma vez que as cadeias de abastecimento são globais, esta crise pode afetar qualquer país. Assim, são imperativas medidas internacionais para fortalecer o sistema e encontrar alternativas seguras.

Anteriormente, outros cientistas haviam sugerido que o verapamil, um medicamento utilizado em doenças cardiovasculares, pode preservar a função das células produtoras de insulina em pacientes recém-diagnosticados com diabetes tipo 1.