A hemodiafiltração é um tratamento avançado que atua na remoção eficaz de toxinas do sangue. Diferente dos métodos convencionais, ela consegue eliminar substâncias de maior peso molecular, como citocinas inflamatórias, fósforo e leptina, que frequentemente permanecem no organismo.
Este procedimento é primariamente recomendado para pacientes com doença renal crônica em fase terminal, falência renal ou síndrome urêmica, que necessitam de diálise de manutenção. Também é uma opção para indivíduos já em hemodiálise em clínicas especializadas.
A hemodiafiltração deve ser prescrita por um nefrologista e é realizada exclusivamente em ambientes hospitalares ou clínicas especializadas. As sessões têm uma duração aproximada de 4 horas.
Para que serve a hemodiafiltração
A hemodiafiltração desempenha um papel crucial em diversos aspectos da saúde do paciente renal. Seus principais benefícios incluem:
- Redução do risco de mortalidade.
- Melhora significativa na qualidade de vida.
- Controle mais eficaz da anemia e dos processos inflamatórios.
- Maior estabilidade cardiovascular, minimizando episódios de hipotensão e cãibras.
Esta eficácia se deve à capacidade da hemodiafiltração de purificar o sangue, eliminando toxinas de médio e grande peso molecular que não são removidas adequadamente pelos métodos de diálise padrão. Entre as substâncias-alvo estão a β2-microglobulina, citocinas inflamatórias, produtos finais de glicação avançada (AGEs), fósforo e leptina.
Diferença entre hemodiálise e hemodiafiltração
A distinção entre hemodiálise e hemodiafiltração reside principalmente no mecanismo de filtração e no espectro de toxinas removidas.
A hemodiálise tradicional utiliza o princípio da difusão para eliminar pequenas moléculas tóxicas do sangue, como ureia e creatinina. Contudo, sua eficácia é limitada na remoção de toxinas de médio e grande peso molecular.
Em contraste, a hemodiafiltração combina difusão e convecção. Esta última envolve o uso de pressão para ‘arrastar’ um volume significativo de fluido e, consequentemente, remover toxinas maiores e mais pesadas de forma mais eficiente. Esse processo resulta em uma purificação sanguínea mais abrangente e profunda.
Principais indicações
As principais indicações para a hemodiafiltração abrangem pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva. É especialmente recomendada para indivíduos com doença renal crônica em estágio avançado, falência renal aguda ou síndrome urêmica, que dependem da diálise de manutenção.
Além disso, a hemodiafiltração tem sido considerada uma terapia de primeira linha para pacientes que já realizam hemodiálise em centros especializados, visto que, em princípio, todos os pacientes em diálise regular podem ser candidatos a este tratamento.
Como é feita
O procedimento de hemodiafiltração segue uma série de etapas bem definidas:
- Preparação do Acesso Vascular: A equipe de saúde realiza a punção do acesso vascular utilizando agulhas de calibre adequado para garantir um fluxo sanguíneo elevado, minimizando pressões excessivas no sistema.
- Início do Bombeamento Sanguíneo: O sangue do paciente é então bombeado para o circuito extracorpóreo da máquina de diálise.
- Administração de Anticoagulante: Um anticoagulante, como a heparina não fracionada, é administrado (em dose inicial única ou por infusão contínua) para prevenir a coagulação do sangue dentro do circuito.
- Produção de Líquido Estéril: A própria máquina produz e repõe online o líquido estéril de substituição, por meio de um sistema de dupla filtração.
- Passagem pelo Dalisador de Alto Fluxo: O sangue flui através de um dialisador especialmente projetado para alto fluxo, caracterizado por poros maiores e fibras capilares internas com maior diâmetro. Isso facilita a passagem do sangue e reduz o risco de coagulação.
- Mecanismos de Difusão e Convecção: As toxinas são removidas do sangue para o fluido de diálise por dois mecanismos: difusão (devido à diferença de concentração) e convecção (onde uma pressão significativa no sistema ‘arrasta’ grandes volumes de líquido e as toxinas de médio e grande peso molecular).
- Extração e Reposição de Líquidos: A máquina remove uma quantidade substancial de líquido do paciente e, simultaneamente, repõe um volume preciso de líquido de substituição estéril de volta na corrente sanguínea.
- Retorno do Sangue Purificado: O sangue já purificado é então devolvido ao organismo do paciente.
O equipamento monitora e calcula a diferença entre o volume de líquido extraído e o infundido, garantindo que o saldo final corresponda exatamente ao volume que o paciente precisava perder, ou seja, o ganho de peso acumulado desde a última sessão de diálise.
Para pacientes que realizam diálise três vezes por semana, cada sessão de hemodiafiltração geralmente tem uma duração de aproximadamente 4 horas.
Possíveis riscos e complicações
Em geral, a hemodiafiltração é considerada um procedimento seguro, desde que todas as diretrizes operacionais e de higiene sejam rigorosamente seguidas. Contudo, como qualquer tratamento médico, existem riscos e possíveis complicações, tais como:
- Coagulação: Formação de coágulos no sistema.
- Hemoconcentração: Aumento da concentração de componentes sanguíneos (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas) devido à redução do volume de líquido circulante.
- Hipoalbuminemia: Perda excessiva de proteínas, especialmente albumina.
- Reações inflamatórias ou pirogênicas: Febre e calafrios, que podem ocorrer se o fluido de diálise não for estéril ou ultrapuro.
Quem não pode fazer
Embora não se trate de uma contraindicação absoluta, o médico pode não recomendar a hemodiafiltração se o paciente apresentar um acesso vascular comprometido ou frágil, que não suporte o fluxo sanguíneo intenso necessário para o procedimento. Nessas situações, os potenciais benefícios da hemodiafiltração podem ser significativamente diminuídos.
