Insulina Glargina: O Que É, Para Que Serve e Como Usar

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A insulina glargina é um medicamento análogo à insulina humana, utilizado no tratamento da diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 em adultos e crianças, com o objetivo de controlar os níveis de glicose no sangue. Sua liberação lenta e contínua no organismo auxilia na regulação da glicose, minimizando o risco de episódios de hipoglicemia (queda excessiva do açúcar no sangue).

Este medicamento está disponível em farmácias e drogarias na forma de solução injetável, apresentada em canetas ou frascos, com nomes comerciais como Glargilin, Lantus, Basaglar e Toujeo. É fundamental ressaltar que o uso da insulina glargina deve ser realizado estritamente sob prescrição e acompanhamento médico.

Indicações de Uso

A insulina glargina é indicada para:

  • Tratamento da diabetes tipo 2 em adultos.
  • Tratamento da diabetes tipo 1 em adultos e crianças a partir dos 2 anos de idade.

Adicionalmente, pode ser utilizada para otimizar o controle glicêmico em adultos com diabetes tipo 2 que não atingiram metas terapêuticas apenas com dieta, exercícios, medicamentos orais isolados ou combinados com insulina basal, ou agonistas do receptor de GLP-1. Nesses casos, a insulina glargina atua como um complemento ao tratamento existente.

Mecanismo de Ação

O medicamento age regulando o metabolismo da glicose. Ele impede que o fígado produza glicose em excesso, estimula a absorção de glicose pelo sangue pelos tecidos periféricos e inibe a quebra de gorduras e proteínas. A característica de liberação lenta e contínua da insulina glargina garante níveis constantes de insulina no corpo, promovendo um controle mais estável da glicose e diminuindo o risco de hipoglicemia.

Em formulações como a Soliqua, que combina insulina glargina com lixisenatida (um agonista do receptor de GLP-1), o medicamento contribui para melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2 e pode ajudar a minimizar o ganho de peso.

Insulina Glargina e Controle de Peso

Geralmente, a insulina glargina não está associada à perda de peso. O uso de insulinas pode, em alguns casos, levar a um ganho de peso moderado, pois a insulina favorece a captação e o armazenamento de energia, além de inibir a quebra de gorduras e proteínas. No entanto, em combinações como a Soliqua, a presença da lixisenatida pode auxiliar na gestão do ganho de peso.

Como Aplicar a Insulina Glargina

A insulina glargina é administrada por via subcutânea (sob a pele) em áreas como abdômen, nádegas, coxas ou parte superior dos braços. O processo de aplicação inclui:

  1. Higienizar as mãos com água e sabão.
  2. Retirar o frasco ou caneta de insulina da geladeira.
  3. Verificar a aparência da insulina: deve ser límpida, incolor e sem partículas visíveis.
  4. Selecionar o local de aplicação, conforme orientação médica.
  5. Limpar a pele com algodão embebido em álcool a 70% e aguardar secar.
  6. Desinfetar o frasco de insulina com algodão e álcool a 70%.
  7. Introduzir a agulha esterilizada na borracha do frasco, invertendo-o para que a agulha fique submersa no líquido e evitar a aspiração de ar.
  8. Puxar o êmbolo da seringa até a dose prescrita.
  9. Remover a agulha e a seringa do frasco, tampando-o se possível.
  10. Eliminar bolhas de ar da seringa.
  11. Fazer uma prega na pele com o polegar e o indicador.
  12. Inserir a agulha completamente na prega, em ângulo de 90º, com um movimento rápido e firme.
  13. Empurrar o êmbolo lentamente até injetar todo o conteúdo.
  14. Aguardar cerca de 10 segundos antes de retirar a agulha, soltando a prega da pele em seguida.
  15. Tampare a seringa e descartá-la em recipiente apropriado para perfurocortantes.

No caso de aplicação com caneta de insulina, a agulha é inserida no local, o botão é pressionado até o fim, aguarda-se 10 segundos e a agulha é retirada.

É recomendado variar os locais de aplicação para evitar o desenvolvimento de lipodistrofia (alterações no tecido gorduroso) ou amiloidose cutânea. A aplicação não deve ser feita em áreas com depressões, cicatrizes, hematomas, feridas ou regiões endurecidas ou descamadas.

Posologia

A posologia da insulina glargina varia de acordo com a idade, o tipo de diabetes e o fabricante. Geralmente, a aplicação é feita uma vez ao dia, no mesmo horário. Em alguns casos, como com a insulina Toujeo, pode haver flexibilidade de horário. A insulina glargina Soliqua deve ser administrada antes das refeições.

A dosagem exata e o esquema de tratamento devem ser individualizados e definidos pelo médico.

Possíveis Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais mais comuns incluem:

  • Hipoglicemia.
  • Dor de cabeça.
  • Ganho de peso.
  • Problemas gastrointestinais como má digestão, dor abdominal, náusea, diarreia e vômito.
  • Tontura e fadiga.
  • Reações locais na pele: vermelhidão, coceira, urticária, dor, inflamação ou inchaço no local da injeção.

A aplicação repetida no mesmo local pode causar hipertrofia e espessamento do tecido gorduroso, depressões na pele ou amiloidose cutânea. Há também um risco aumentado de pancreatite e cálculos biliares. Raramente, podem ocorrer distúrbios visuais temporários, retenção hídrica, alterações do paladar, dor muscular e reações alérgicas graves. Em caso de sintomas como dificuldade para respirar, inchaço facial, queda da pressão arterial ou tontura severa, procure atendimento médico imediato.

Contraindicações

A insulina glargina não deve ser utilizada por indivíduos alérgicos à substância ativa ou a qualquer outro componente da formulação. Pacientes com cetoacidose diabética ativa ou episódios de hipoglicemia também não devem usar este medicamento.

Não é recomendada para crianças menores de 2 anos (exceto em casos específicos e sob orientação médica). A insulina glargina Toujeo é contraindicada para crianças menores de 6 anos. A insulina glargina Soliqua é contraindicada para pessoas com diabetes tipo 1 e crianças.

Mulheres grávidas ou em período de amamentação devem usar o medicamento apenas sob rigorosa indicação e supervisão médica.