A procura por imóveis comerciais no estrangeiro por parte de investidores russos registou uma queda de 15% no primeiro semestre de 2025, de acordo com dados do corretor internacional Tranio. Apesar deste declínio global, a Europa mantém a liderança em termos de volume de pedidos. Especialistas observam que este tipo de investimento é agora considerado mais conservador. Entre os destinos europeus, a Itália gera o maior interesse (representando 21% da procura total), seguida de perto pela Espanha, Alemanha, Portugal e França.

Na Europa, os investidores não se limitam a espaços de escritórios, demonstrando também grande interesse na aquisição de áreas para supermercados, cafés e lojas, especialmente em zonas turísticas movimentadas. O nível geral de procura nesta região permanece relativamente estável. Em contraste, os países do Sudeste Asiático e do Golfo Pérsico mostram um aumento significativo de interesse. Mikhail Bulanov, cofundador e sócio-gerente da Tranio, destaca as perspetivas particularmente favoráveis para o mercado imobiliário comercial no Dubai, explicando que a diminuição do volume total de investimentos torna as flutuações da procura mais notórias.
A Tranio, com uma presença historicamente forte na Europa, continua a observar interesse por ativos “adequados” na União Europeia: escritórios, supermercados e hotéis com contratos de arrendamento de longo prazo e cláusulas de indexação. Estes são geralmente grandes imóveis, uma vez que espaços menores são mais difíceis de vender à distância. Os principais países de interesse continuam a ser Itália, Espanha e Alemanha. No entanto, a principal tendência, segundo Bulanov, é o rápido crescimento da dinâmica nos Emirados Árabes Unidos, especificamente no Dubai.
Na Europa, o fluxo de novos clientes abrandou; na maioria dos casos, trata-se de investidores com estruturas já estabelecidas ou autorização de residência, que procuram expandir os seus portefólios existentes. Os novos investidores, por outro lado, concentram-se em países emergentes e “amigáveis”. A situação nos mercados europeus tem vindo a piorar: por exemplo, o volume de transações de imóveis comerciais na Alemanha caiu quase dez vezes desde 2021, principalmente devido às elevadas taxas de juro. Embora as taxas estejam a começar a diminuir, não há sinais de uma recuperação forte generalizada. Oportunidades locais surgem em novas áreas em desenvolvimento. No Dubai, a situação é oposta: uma escassez de espaços de escritórios e um crescimento colossal do mercado.
De acordo com a agência Kalinka Ecosystem, no primeiro semestre de 2025, a procura de escritórios no Dubai por parte de cidadãos russos duplicou. O emirado regista um aumento notável da atividade empresarial: o número de pedidos de arrendamento de espaços comerciais aumentou 25% desde janeiro. Philipp Berezin, editor-chefe da Prian.ru, observa que o imobiliário comercial é interessante para poucos investidores, uma vez que a maioria prefere a compra mais simples e compreensível de vários apartamentos.
O interesse em imóveis comerciais europeus (como em Espanha, Alemanha e mercados menores como Eslovénia e Bulgária) é predominantemente manifestado por investidores que já possuem algum tipo de estatuto de emigração.
Nos Emirados Árabes Unidos, especialmente no Dubai, há um interesse particular em espaços integrados, uma vez que o seu custo é mais acessível para uma gama mais ampla de investidores que não estão preparados para investimentos multimilionários. Desde 2021, a procura por espaços comerciais em construção cresceu 4 a 5 vezes, impulsionada pela ativa realocação de negócios russos e pela oferta limitada.
No Sudeste Asiático, o interesse em imóveis comerciais é menor, pois as ofertas são mais orientadas para o mercado interno e para compradores de países vizinhos, como os chineses na Tailândia. Apesar do fluxo de clientes para a Ásia e o Médio Oriente, os imóveis residenciais continuam a ser mais atrativos para investimento do que os comerciais. Se antes a proporção de interesse dos investidores era de 90% para residencial e 10% para comercial, agora alterou-se para aproximadamente 75% para 25%.
De acordo com a agência Ricci, os investimentos em espaços comerciais em países árabes e asiáticos podem gerar retornos de 8% a 14% ao ano. Especificamente, na compra de um espaço de escritório no Dubai, pode-se esperar uma rentabilidade de cerca de 10% ao ano em dirhams.
