O ex-presidente e atual candidato à liderança do Benfica, Luís Filipe Vieira, concedeu uma entrevista onde manifestou novamente o seu descontentamento com a atual gestão de Rui Costa e partilhou a sua perspetiva sobre a recente Assembleia Geral.
ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Em entrevista à TSF, Luís Filipe Vieira, novamente candidato à presidência do Benfica, reiterou as suas críticas à liderança de Rui Costa e adiantou que Domingos Soares de Oliveira poderá regressar ao clube. Vieira abordou ainda os processos judiciais em que está envolvido, como os casos Lex e Saco Azul, e comentou a conturbada Assembleia Geral, criticando a atuação de “grupos radicais” e discutindo a reforma dos estatutos do clube.
O ex-presidente também partilhou a sua visão sobre a contratação de José Mourinho para a equipa técnica e indicou que não planeia manter Mário Branco no cargo de diretor-geral de futebol.
Motivação da Candidatura
Luís Filipe Vieira justificou a sua recandidatura pela convicção de que foi sob a sua gestão que o Benfica se reergueu. Afirmou que, após a sua saída, o clube “entrou num caminho inconsistente”, perdendo liderança e respeito tanto na Liga como na Federação Portuguesa de Futebol, com os resultados financeiros a refletirem essa situação.
Potenciais Regressos à Direção
Vieira lamentou a perda do modelo de gestão anterior, destacando a importância de Domingos Soares de Oliveira (CEO) e Miguel Moreira (CFO). Declarou que Domingos Soares de Oliveira “tem todas as condições para voltar ao Benfica” e que ele próprio fará o possível para que isso aconteça, acreditando no seu regresso a Portugal. Contudo, considerou o regresso de Miguel Moreira inviável neste momento.
Críticas à Gestão do Património
O candidato expressou preocupação com a “degradação” do património do clube, referindo-se ao Estádio da Luz como “abandonado”, com os seus arcos a perderem a cor original. No Benfica Campus, no Seixal, Vieira criticou a falta de progresso, mencionando que a expansão de 40 hectares, que incluiria um colégio e um hotel para aproximar atletas das famílias e reduzir custos, não foi concretizada, nem sequer o projeto do colégio foi aprovado.
Os Casos Judiciais: Lex e Saco Azul
Luís Filipe Vieira classificou o seu envolvimento no caso Lex como um “escândalo”, afirmando estar “inocente” e ter “nada a ver com o que estou acusado”, depositando a sua confiança na justiça. Quanto ao processo Saco Azul, referiu que já existe um julgamento e que o seu resultado “vai esclarecer tudo”. Manifestou-se tranquilo à espera da sentença final, garantindo que “limpará o seu nome”, pois considera que foi um “ataque ao Benfica” no qual foi “arrastado”.
Resposta às Acusações de Rui Costa
Em resposta às preocupações levantadas por Rui Costa relativamente aos seus problemas com a justiça, Vieira sublinhou que a sua defesa do Benfica “em todo o lado” sempre lhe criou adversidades. Recordou que a situação se iniciou com o caso dos vouchers e que, até ao momento, “nada aconteceu”, pelo que apenas lhe resta “aguardar”.
A Conturbada Assembleia Geral
Vieira descreveu a última Assembleia Geral como “muito grave”, criticando a existência de “grupos radicais” no Benfica que “apelam à democracia, mas não a praticam”. Mencionou o movimento Servir Benfica, com ramificações em diferentes candidaturas, e comparou o ambiente a “tropa”, alertando para uma “radicalização” do clube que poderá gerar futuros problemas. Apesar de não ter havido agressões, um grupo organizado fez barulho e impediu-o de falar, uma situação que, segundo ele, já ocorria durante a sua presidência e se tornou “insustentável”.
Transparência nas Assembleias Gerais e Reforma dos Estatutos
Vieira manifestou-se contra os atuais estatutos, aprovados por uma “minoria de sócios”, que permitem a queda da Direção caso dois Relatórios e Contas sejam chumbados, tornando o Benfica “ingovernável”. Prometeu que, se eleito, a BTV transmitirá as Assembleias Gerais, “mesmo que seja para o país inteiro”, para garantir maior transparência.
O candidato defende um modelo semelhante ao do Bayern de Munique para o Benfica, dado o seu “tamanho”. Explicou que no Bayern existem quatro acionistas com 10% cada (Volkswagen, Adidas, Allianz) e o presidente é sempre um dirigente de uma dessas empresas. Embora os sócios não elejam diretamente o presidente, mantêm influência. Vieira argumentou que os sócios, acima de tudo, “querem é ganhar jogos” e que este modelo confere “peso institucional” e estabilidade, evitando a “feira das vaidades” com múltiplos candidatos. Sugeriu mandatos mais longos, de 12 anos, para assegurar “estabilidade e confiança”, pois a contestação aumenta rapidamente com a falta de resultados.
A Situação de José Mourinho
Sobre a escolha de José Mourinho, Vieira reconheceu que qualquer treinador está dependente dos resultados. Embora se tenha abstido de julgar a gestão de Rui Costa, admitiu que Mourinho trouxe “estabilidade”, mas ponderou que, sem a pressão eleitoral, “talvez a escolha não fosse o Mourinho”. Alertou que a falta de resultados comprometerá essa estabilidade, e o descontentamento é natural perante o “investimento” e a ausência de triunfos. Garantiu que o próximo presidente não despedirá Mourinho, mas “se o Benfica não for campeão ou os resultados não aparecerem, alguma coisa vai acontecer.”
O Futuro do Cargo de Diretor-Geral
Questionado sobre a continuidade de Mário Branco como diretor-geral de futebol, Vieira foi perentório: “Não.” Revelou já ter um nome para o cargo, que não divulgou por estar “a trabalhar” noutra função. Afirmou conhecer Mário Branco e não tencionar demiti-lo, mas deixou claro que este “terá de se enquadrar na nossa ideia para o Benfica”, caso contrário, “não poderá continuar”.
