Investigadores desenvolveram um sensor molecular capaz de detetar o vírus da gripe numa fase inicial, assinalando a sua presença com um sabor específico a tomilho. Os detalhes desta tecnologia inovadora foram recentemente publicados na prestigiada revista científica ACS Central Science.
O princípio de funcionamento do sensor baseia-se numa molécula projetada para interagir especificamente com a enzima viral neuraminidase. Quando o vírus está ativo, esta molécula é clivada, resultando na libertação de timol – um composto com um sabor herbáceo intenso, característico do tomilho. Este mecanismo permitiria que uma pessoa infetada sentisse este sabor, por exemplo, ao usar uma pastilha elástica ou um rebuçado, eliminando a necessidade de recorrer a procedimentos diagnósticos complexos e dispendiosos.
Em testes laboratoriais, o sensor demonstrou ser eficaz em amostras de saliva de pacientes infetados com gripe, detetando o vírus em menos de 30 minutos. Adicionalmente, foi confirmada a segurança do sensor para células humanas e de ratinhos, o que sublinha o seu potencial para uma aplicação prática e segura.
Os autores do estudo expressam a crença de que este método poderá tornar-se a primeira ferramenta acessível para o rastreio doméstico, possibilitando a identificação da infecciosidade antes mesmo do aparecimento de sintomas visíveis. Este período é crucial, pois é quando o risco de transmissão da infeção é particularmente elevado. A tecnologia já foi patenteada no Instituto Europeu de Patentes, o que atesta o seu reconhecimento e o potencial para futura comercialização.
Este avanço segue outras pesquisas relevantes na área, como a anunciada em abril, que revelou a criação de uma pastilha elástica capaz de reduzir significativamente a concentração de vírus da gripe e do herpes na saliva, em mais de 95 por cento, demonstrando o progresso contínuo no combate a estas infeções virais.
