
Uma equipa internacional de investigadores, composta por cientistas da China e dos Estados Unidos, descobriu que o consumo regular de chá está intrinsecamente ligado a uma diminuição notável do risco de cancro do fígado. Os resultados deste estudo de grande escala foram detalhadamente publicados na revista científica Nutrients. A pesquisa abrangeu um universo impressionante de mais de 2.000 pacientes já diagnosticados com cancro do fígado e quase 8.000 indivíduos sem a doença, permitindo uma análise comparativa robusta.
Os cientistas realizaram uma minuciosa comparação dos hábitos dos participantes, que incluíram o padrão de consumo de chá, a presença de vírus da hepatite B e C, o historial de tabagismo, a ingestão de álcool e a qualidade da água potável consumida. A principal revelação foi que os indivíduos que mantiveram o hábito de beber chá no momento do estudo apresentaram um risco 49% menor de desenvolver cancro do fígado, quando comparados com aqueles que não o faziam. De forma surpreendente, aqueles que haviam deixado de beber chá registaram, paradoxalmente, um risco superior à média.
Este efeito protetor manifestou-se de maneira consistente, independentemente da existência de outros fatores de risco conhecidos, como ser portador (ou não) do vírus da hepatite B, ser fumador ou consumidor de álcool. O benefício do chá foi particularmente acentuado entre os consumidores de álcool, onde a bebida reduziu a probabilidade de cancro do fígado em quase metade. Os autores do estudo sugerem que os poderosos antioxidantes e polifenóis presentes no chá desempenham um papel crucial nestes mecanismos de proteção.
É vital que os investigadores enfatizem que o consumo de chá, embora promissor, não substitui as medidas de prevenção já comprovadas e essenciais. Estas incluem a vacinação contra a hepatite B, a abstenção total ou moderada de álcool e o consumo exclusivo de água tratada e segura. Contudo, a integração regular do chá na dieta pode servir como um método adicional e facilmente acessível para diminuir o risco desta doença, especialmente benéfico para indivíduos em grupos de elevado risco.
Em investigações anteriores, já se estimava que até 60% dos casos de cancro do fígado poderiam ser prevenidos através de ações focadas na redução da disseminação das hepatites virais e na diminuição do abuso de álcool, reforçando a importância de uma abordagem preventiva multifacetada para a saúde hepática global.
