O Índice Moex regista uma queda pela terceira semana consecutiva

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O mercado de ações russo manobra entre impostos, IPOs e a geopolítica

O Índice da Bolsa de Moscovo (Moex) continua a desvalorizar-se pela terceira semana consecutiva. Na semana passada, registou uma perda de 0,8%, totalizando uma queda de 6% em três semanas. Este declínio é largamente atribuído a fatores internos, como a política monetária restritiva do Banco da Rússia e os planos do Ministério das Finanças para aumentar a carga fiscal. A conjuntura política externa também contribui para o sentimento negativo. As expectativas de futuras ofertas públicas iniciais (IPOs), incluindo as de empresas estatais, oferecem um certo suporte ao mercado.

A 26 de setembro, o Índice Moex fechou nos 2725,97 pontos. Embora este valor represente uma subida de 0,64% face ao fecho do dia anterior, o índice perdeu 0,8% durante a semana. Esta é a terceira semana consecutiva de correção, período no qual o principal indicador bolsista caiu 6%.

O cenário negativo é predominantemente impulsionado por notícias internas da Rússia.

Há duas semanas, o Banco Central reduziu a taxa de juro de referência em apenas 1 ponto percentual, para 17%, o que ficou aquém das expectativas do mercado e levou a uma queda de 2,4% no índice IMOEX. Esta semana, o Ministério das Finanças propôs aumentar a taxa geral de IVA de 20% para 22%, o que provocou uma descida imediata do índice em 2,5%, para 2675 pontos. Stanislav Kleshchev, estratega de investimento da “VTB Moí Investitsii”, afirma que “o regresso do principal indicador do mercado russo aos mínimos de verão reflete as dúvidas dos investidores quanto à rápida materialização de tendências positivas para o mercado — uma flexibilização significativa da política monetária, o enfraquecimento do rublo e a diminuição das tensões geopolíticas.”

Além disso, o contexto externo também não favoreceu o otimismo dos investidores russos. Os seus ânimos foram afetados pelas recentes declarações do presidente americano Donald Trump sobre o conflito ucraniano, incluindo a sua prontidão para assegurar o fornecimento ininterrupto de armamento à Ucrânia, bem como as intenções dos líderes europeus de abandonar completamente as importações de recursos energéticos russos. Elena Kozhukhova, analista da corretora “Veles Kapital”, aponta outro risco geopolítico que pressiona o mercado russo: a ameaça da introdução do 19º pacote de sanções pelos estados europeus, que provavelmente afetará, sobretudo, os setores energético e bancário.

“O mercado tornou-se excessivamente `noticioso`”, salienta Dmitry Tselishchev, diretor administrativo da “Rikom-Trust”. Ele acrescenta que “a ausência de uma linha estratégica clara nas declarações das autoridades aumenta a incompreensão dos investidores sobre a conjuntura atual, fazendo com que qualquer notícia seja interpretada em cenários extremos como um sinal para agir.”

No entanto, o índice mantém-se, por enquanto, acima do nível psicologicamente importante dos 2700 pontos.

Um fator de suporte parcial são “os preços mais altos do petróleo”, conforme observado pela “Finam”. Segundo dados da Investing.com, o preço do petróleo Brent aproximou-se dos 70 dólares por barril no final de setembro, enquanto desde o início de agosto se mantinha predominantemente na faixa dos 65-67 dólares. Além disso, as ameaças de riscos geopolíticos não estão predeterminadas: o conteúdo do novo pacote de sanções ainda é desconhecido, e a total renúncia da Europa aos energéticos russos está planeada apenas para 2027. Alguns investidores também esperam que o presidente americano “mude novamente de opinião” em relação à Rússia, relata a “Finam”.

O mercado também é apoiado pela possibilidade de várias empresas russas realizarem IPOs até ao final de 2025, incluindo a colocação planeada para o final de novembro da JSC “Dom.RF”. Dmitry Vishnevsky, analista da empresa de investimentos “Tsifra broker”, acredita que “a preparação de um IPO estatal confere um positivismo local ao mercado, criando expectativas de novos grandes players e estimulando investimentos a curto prazo, o que ajuda a manter o índice nos níveis atuais”. Nikita Bredikhin, analista de investimentos sénior da “Go Investa”, também observa: “Novos IPOs são um fator positivo para o mercado, pois aumentará o número de grandes empresas que podem pagar dividendos e tornar-se componentes dos índices.”

Ao mesmo tempo, a conjuntura atual não é, por enquanto, favorável a novos emitentes.

No mercado russo, “consolidou-se a prática de uma dinâmica não muito bem-sucedida das ações após a oferta pública inicial”, indica o senhor Bredikhin. Estima-se que mais de metade das ações dos emitentes que realizaram IPOs entre 2023 e 2025 estejam agora a ser negociadas abaixo do preço de colocação. Em dez destas empresas, as ações desvalorizaram-se entre 40% e 65%.

De acordo com a avaliação de Lyudmila Rokotyanskaya, especialista do mercado de ações da “BKS Mir Investitsiy”, em circunstâncias favoráveis, o índice poderá regressar ao nível dos 3000 pontos até ao final do ano. Contudo, na opinião de outros especialistas, nas próximas semanas o índice deverá estabilizar no nível atual. “Atualmente, o índice encontrou um equilíbrio, mas qualquer evento significativo pode perturbar essa estabilidade”, salienta o senhor Bredikhin.

Autor: Andrey Kovalev