Pus no Ouvido: 8 Causas Comuns e o Que Fazer

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A presença de pus no ouvido indica, frequentemente, uma infecção ou inflamação. As causas mais comuns incluem otite externa, otite média, perfuração do tímpano, o uso de aparelhos auditivos ou a exposição contínua à água fria, como observado na condição conhecida como ouvido de surfista.

Dependendo da origem, o pus pode vir acompanhado de outros sintomas, como dor intensa no ouvido, comichão, febre e, em alguns casos, diminuição da capacidade auditiva.

É crucial procurar um otorrinolaringologista ao notar pus no ouvido para um diagnóstico preciso. O especialista realizará uma avaliação detalhada e indicará o tratamento apropriado, que pode envolver analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, drenagem ou, em certas situações, intervenção cirúrgica.

Causas Comuns do Pus no Ouvido

As condições mais frequentes que levam ao aparecimento de pus no ouvido são:

1. Otite Externa

A otite externa é uma inflamação que afeta a porção mais externa do ouvido, frequentemente resultando em pus com odor desagradável, comichão, descamação do canal auditivo, dor e diminuição da audição.

Tratamento: O tratamento, indicado por um otorrinolaringologista, pediatra ou clínico geral, geralmente envolve a aplicação de gotas auriculares para a limpeza, como soro fisiológico ou soluções à base de álcool. Adicionalmente, podem ser prescritos medicamentos orais, como analgésicos, anti-inflamatórios, corticosteroides ou antibióticos, dependendo da gravidade e da causa.

2. Otite Média

A otite média consiste numa inflamação da porção média do ouvido, podendo causar dor e secreção purulenta, febre e irritabilidade. Em casos mais severos, pode surgir cefaleia intensa ou confusão mental.

Esta condição é frequentemente desencadeada por infeções virais ou bacterianas das vias aéreas superiores, como gripes, constipações ou crises de sinusite, mas também pode ser resultado de traumas ou reações alérgicas.

Tratamento: Para combater a inflamação e aliviar a dor, o médico pode receitar medicamentos como ibuprofeno, paracetamol ou dipirona. Se a otite média for de origem bacteriana, o uso de antibióticos como amoxicilina, amoxicilina com ácido clavulânico ou claritromicina pode ser necessário.

3. Uso de Aparelhos Auditivos

A utilização de aparelhos auditivos pode modificar o ambiente do canal auditivo, favorecendo o desenvolvimento de otites externas fúngicas ou bacterianas. Isso ocorre devido à higienização insuficiente ou ao aumento da humidade, manifestando-se com pus, comichão e dor no ouvido.

Tratamento: A prevenção e o tratamento envolvem cuidados específicos com o aparelho auditivo. É fundamental removê-lo antes de tomar banho, praticar atividades físicas ou dormir, além de realizar a higienização regular com sprays ou lenços de limpeza específicos.

4. Corpos Estranhos

A entrada acidental de corpos estranhos, como pequenos brinquedos, botões, insetos ou fragmentos de alimentos no ouvido, pode desencadear uma inflamação, resultando em dor, comichão e a produção de pus.

Tratamento: A remoção do corpo estranho deve ser realizada exclusivamente por um otorrinolaringologista, utilizando instrumentos como pinças ou equipamentos de sucção. Em situações mais complexas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica. É desaconselhável tentar remover o objeto em casa, pois isso pode empurrá-lo ainda mais, agravando a situação e causando lesões.

5. Miringite

A miringite corresponde à inflamação da membrana timpânica, que atua como uma barreira entre o ouvido externo e o médio. Os sintomas incluem sensação de peso ou dor leve no ouvido, febre, redução da audição e a formação de bolhas de pus no tímpano.

Tratamento: O tratamento geralmente envolve a prescrição médica de antibióticos e analgésicos. Em casos de miringite bolhosa, o médico pode proceder à drenagem da bolha com um bisturi para aliviar a dor aguda.

6. Mastoidite

A mastoidite é uma inflamação da mastoide, uma porção do osso temporal situada atrás da orelha. Pode manifestar-se com pus no ouvido, dor, vermelhidão, sensação de calor, inchaço, diminuição da audição e hipersensibilidade na região afetada.

Tratamento: O tratamento habitualmente consiste na administração intravenosa de antibióticos, como ceftriaxona ou vancomicina, por um período de cerca de duas semanas. Em situações mais severas, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para drenar a secreção do ouvido ou remover a porção do osso comprometida pela infeção.

7. Ouvido de Surfista (Exostose do Canal Auditivo Externo)

O pus no ouvido pode ser um sinal do “ouvido de surfista” (exostose do canal auditivo externo), uma condição provocada pela exposição prolongada à água fria, que leva ao crescimento de pequenos ossos benignos no canal auditivo, próximo ao tímpano.

Inicialmente assintomática, a progressão da doença pode resultar em otites externas recorrentes, secreção no ouvido, sensação de obstrução, perda auditiva e a sensação de água retida no canal.

Tratamento: O médico pode realizar limpezas regulares do canal auditivo para remover detritos e prevenir complicações como otites externas recorrentes, perfuração do tímpano e perda auditiva. Contudo, uma vez que as exostoses se desenvolvam significativamente, o tratamento definitivo, realizado por um otorrinolaringologista, é cirúrgico, através de um procedimento chamado canaloplastia.

8. Tímpano Perfurado

A perfuração do tímpano pode ocorrer devido a complicações de infeções auriculares, barotrauma (diferença de pressão entre o canal auditivo e o ambiente externo), traumatismo craniano ou pela inserção de objetos no ouvido.

Os sintomas associados a um tímpano perfurado incluem a presença de sangue e/ou pus no ouvido, diminuição da audição, comichão, dor severa e zumbido.

Tratamento: Se houver uma infeção ou uma perfuração completa da membrana, o médico pode prescrever antibióticos em gotas, como neomicina e polimixina combinados com corticoides. Em certas situações, pode ser indicada uma timpanoplastia, uma cirurgia para reconstruir a membrana timpânica.

Pus no Ouvido em Bebês

Em bebés, o pus no ouvido pode ser um sinal de infeções virais ou bacterianas, frequentemente associadas a condições como garganta inflamada, gripe ou outras infeções respiratórias superiores.

Nestes casos, para além do pus, o bebé pode manifestar irritabilidade, choro constante, febre, dificuldades para dormir, perda de equilíbrio, esfregar ou puxar a orelha, ou demonstrar pouca reação a sons suaves.