O Sberbank, um dos maiores bancos da Rússia, lançou um programa piloto inovador para combater os “droppers” – indivíduos que facilitam a movimentação de fundos obtidos ilegalmente. Esta iniciativa envolve a realização de conversas preventivas com estas pessoas, numa colaboração entre representantes do banco e oficiais da polícia. A informação foi divulgada por Stanislav Kuznetsov, vice-presidente do conselho de administração do Sberbank, numa entrevista ao RBC.
Kuznetsov sublinhou a importância da legislação atual, afirmando: “A lei que nos permite reter fundos nas contas dos `droppers` é correta. No entanto, o mecanismo judicial para a recuperação desses valores é extremamente moroso e complexo. É necessário instaurar um processo legal e obter uma decisão judicial para que haja uma base sólida para o reembolso, conforme a lei. Acompanhar todos estes casos é uma tarefa hercúlea; se houver mil casos, são necessários mil advogados. Isso representa um encargo significativo em termos de recursos, tanto para as instituições de crédito quanto para os cidadãos afetados.”
De acordo com o vice-presidente do Sberbank, uma percentagem significativa, cerca de 80%, dos “droppers” desconhece a sua participação em esquemas criminosos. Estas pessoas, muitas vezes, perderam os seus cartões bancários ou cederam-nos a terceiros sem qualquer intenção maliciosa. Após estas sessões de aconselhamento preventivo, os próprios “droppers” têm apresentado pedidos de reembolso por transferências que consideram erróneas. Como resultado destas ações, entre janeiro e setembro de 2025, o Sberbank conseguiu recuperar 2,4 mil milhões de rublos em fundos roubados das contas dos “droppers”. Kuznetsov especificou que estes valores tinham sido subtraídos a clientes de outros bancos.
Paralelamente a estas medidas, em junho, o Presidente Vladimir Putin assinou uma lei que introduz a responsabilidade criminal para os “droppers”. A cedência ou transferência de um cartão bancário pode agora resultar numa multa considerável, entre 100 mil e 300 mil rublos, trabalhos obrigatórios ou uma restrição de liberdade por até dois anos. Além disso, Anatoly Aksakov, chefe do comité da Duma Estatal para o mercado financeiro, anunciou recentemente que, até dezembro, a Duma aprovará uma lei que visa limitar o número de cartões bancários que uma pessoa pode possuir: até cinco cartões no mesmo banco e um máximo de 20 em diferentes instituições financeiras.
