Meio editorial
Notícias saúde

Cateterismo: Procedimento, Indicações, Tipos, Riscos e Execução

5 de agosto de 2026Pablo Navarro7 мин

O cateterismo é um procedimento médico que envolve a inserção de um tubo flexível, conhecido como cateter, em um vaso sanguíneo, órgão ou cavidade corporal. Essa inserção visa tanto ao diagnóstico quanto à administração de tratamentos.

O cateterismo cardíaco é o tipo mais comum, utilizado para diagnosticar e tratar doenças do coração. No entanto, existem outras modalidades, como o cateterismo vesical, umbilical e nasogástrico.

É importante notar que o cateterismo apresenta riscos, que variam conforme o tipo e o local de inserção do cateter. Por essa razão, o procedimento deve ser sempre realizado por um médico e acompanhado por uma equipe de enfermagem para minimizar potenciais complicações.

Para que serve o Cateterismo

O cateterismo é indicado em diversas situações, incluindo:

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico;
  • Infarto, cardiomiopatias ou arritmias;
  • Hipertensão pulmonar e choque;
  • Retenção urinária, aguda ou crônica;
  • Administração de medicamentos ou fluidos intravenosos;
  • Monitoramento da pressão venosa central;
  • Medição da pressão nas câmaras cardíacas;
  • Alimentação ou remoção de fluidos do estômago ou esôfago.

Pode também ser recomendado para incontinência urinária, cicatrização de feridas complexas, câncer de bexiga, doença renal crônica, desnutrição grave e prematuridade extrema.

O objetivo principal do cateterismo é auxiliar no diagnóstico dessas condições, administrar tratamentos ou aliviar obstruções.

Tipos de Cateterismo

Os principais tipos de cateterismo incluem:

1. Cateterismo Cardíaco

Realizado por um cardiologista, este procedimento insere um cateter através de uma artéria (na perna ou braço) até o coração, geralmente sob anestesia local e sedação.

Os cateteres podem ser usados para medir pressão, diagnosticar e tratar arritmias, doenças valvares ou congênitas, visualizar vasos sanguíneos, alargar válvulas cardíacas ou desobstruir artérias. Biópsias do tecido cardíaco também podem ser obtidas através do cateter.

2. Cateterismo Vesical

Consiste na introdução de um cateter pela uretra até a bexiga, com o propósito de esvaziá-la. É frequentemente utilizado antes ou após cirurgias e para monitorar a produção de urina.

Existem dois tipos de sondas: a de alívio (temporária) e a de demora (permanente), dependendo da condição a ser tratada.

3. Cateterismo Umbilical

Um cateter é inserido através do umbigo para monitorar pressão arterial, verificar gasometria e realizar outros procedimentos médicos.

É geralmente realizado em bebês prematuros na UTI neonatal, pois apresenta riscos e não é um procedimento de rotina. Seus objetivos incluem monitoramento contínuo da pressão arterial sistêmica, coleta frequente de amostras de sangue para gasometria e acesso venoso central rápido para reanimação, transfusões e nutrição parenteral.

4. Cateterismo Nasogástrico

Um tubo plástico (cateter) é inserido pelo nariz e conduzido até o estômago.

Pode ser usado para diagnóstico ou terapia, como descompressão gástrica, alimentação enteral, administração de medicamentos, lavagem gástrica e manejo de sangramento gastrointestinal. A posição do cateter deve ser confirmada por radiografia.

5. Cateterismo Venoso Periférico

Realizado por médicos ou enfermeiros, consiste na punção de uma veia para administrar soro ou medicamentos.

Este é um dos dispositivos invasivos mais utilizados em hospitais.

6. Cateterismo Venoso Central

Um cateter totalmente implantável é inserido em uma veia central de grande calibre (jugular, subclávia ou femoral).

É geralmente indicado para quimioterapia, hemodiálise, transfusões de sangue ou hemoderivados, e nutrição parenteral.

7. Cateterismo Pulmonar

Um cateter chamado Swan-Ganz é inserido na artéria pulmonar.

Seu objetivo é monitorar a pressão no coração, estimar o débito cardíaco e avaliar a resistência vascular em pacientes com choque, hipertensão pulmonar ou dispneia de causa desconhecida.

8. Cateterismo Peritoneal

Um cateter (Tenckhoff) é introduzido na cavidade peritoneal do abdômen.

Este procedimento é comumente indicado para diálise peritoneal em pacientes com insuficiência renal. Existe também um cateter intraperitoneal usado em cirurgias para administrar quimioterapia aquecida na cavidade abdominal em casos de câncer de ovário ou metástases abdominais.

9. Cateterismo Epidural

Um cateter é inserido no espaço epidural da coluna vertebral.

É um procedimento seguro, frequentemente usado para anestesia durante o parto ou cirurgias abdominais, pélvicas, nas pernas ou tórax, quando relaxamento muscular não é necessário. Também pode ser utilizado para administrar analgésicos continuamente para alívio da dor pós-operatória.

10. Cateterismo Biliar

Também conhecido como drenagem biliar, este procedimento insere um cateter no ducto biliar para drenar bile acumulada na vesícula biliar.

É indicado em casos de obstrução do ducto biliar por cálculos biliares, tumores, ou após radioterapia/quimioterapia.

11. Cateterismo Renal

Realizado por um cirurgião urológico, utiliza cateteres para drenar urina dos rins quando há obstrução nos ureteres ou rins.

Pode ser colocado um cateter duplo J (stent ureteral) que fica posicionado entre o rim e a bexiga, ou um cateter de nefrostomia percutânea, inserido diretamente no rim e conectado a uma bolsa coletora externa.

12. Cateterismo Arterial

Um cateter é inserido na artéria femoral (virilha) ou braquial (braço).

Geralmente indicado para monitorar a pressão arterial ou os níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue.

13. Cateterismo Cerebral

Utilizado em casos de AVC isquêmico para desobstruir vasos sanguíneos bloqueados por coágulos, restaurando o fluxo sanguíneo para a área afetada do cérebro.

Este procedimento deve ser realizado até 24 horas após o início dos sintomas do AVC.

14. Cateterismo de Drenagem

Indicado para drenar fluidos acumulados em cavidades corporais, como em casos de derrame pleural, abscessos ou após cirurgias.

Um dreno é inserido no local e permanece por um período variável, removendo pus e/ou sangue.

O Cateterismo é Perigoso?

O cateterismo é um procedimento médico invasivo, mas geralmente considerado seguro quando realizado por profissionais experientes.

No entanto, dependendo do tipo, existem alguns riscos associados, incluindo:

  • Infarto e AVC;
  • Obstrução do cateter;
  • Lesão ou insuficiência renal aguda;
  • Sangramentos e hematomas na região de inserção;
  • Infecção urinária;
  • Lesões na uretra;
  • Perfuração ou lesão intestinal;
  • Arritmias cardíacas;
  • Pneumotórax e embolia gasosa;
  • Tromboembolismo;
  • Necrose hepática, abscesso hepático e trombose da veia porta.

Em casos mais raros, o cateterismo venoso central pode levar a infecções sanguíneas potencialmente fatais.

O Cateterismo é uma Cirurgia?

Em geral, o cateterismo não é classificado como cirurgia, mas sim como um procedimento médico invasivo. Contudo, alguns tipos específicos, como o cateterismo vesical suprapúbico, exigem uma pequena intervenção cirúrgica para a colocação da sonda através da parede abdominal.

Como é Feito o Cateterismo

A execução do cateterismo varia significativamente dependendo do tipo:

Cateterismo Vesical (Urinário)

O paciente é posicionado deitado. Realiza-se a higiene e antissepsia genital. Nos homens, o pênis é evertido, aplica-se gel anestésico lubrificante na uretra e o cateter é inserido. Nas mulheres, os lábios vulvares são afastados, o cateter lubrificado é introduzido até o fluxo de urina iniciar, e então avançado mais 2 cm. Em ambos os sexos, um balão é inflado com água estéril na bexiga para fixar o cateter, que é então preso à pele do abdômen (homens) ou coxa (mulheres).

Cateterismo Venoso Central

O paciente é posicionado em decúbito dorsal, com a cabeça ligeiramente mais baixa que os pés (para acesso jugular ou subclávia) ou em posição supina (para acesso femoral). Sob técnica estéril rigorosa, anestesia local e campo oclusivo, o médico punciona a veia. Após aspiração de sangue venoso, um fio guia metálico é introduzido e a agulha é removida. Um pequeno corte é feito na pele, seguido pela passagem de um dilatador sobre o fio para expandir o tecido. O cateter final é deslizado sobre o fio até o vaso. O fio guia é removido, o refluxo de sangue é verificado, as portas do cateter são lavadas com soro fisiológico e a pele é suturada.

Cateterismo Nasogástrico

O paciente é posicionado sentado com o pescoço flexionado ou em decúbito lateral esquerdo. A sonda é medida previamente do nariz à orelha e desta ao apêndice xifoide. Uma pequena quantidade de gel de lidocaína é aplicada na ponta da sonda para lubrificação e anestesia local. A sonda é inserida paralelamente ao palato em direção à nasofaringe. O paciente é instruído a engolir goles de água para facilitar a passagem da sonda pelo esôfago até o estômago. Finalmente, a sonda é fixada com fita adesiva no nariz.

O cateterismo umbilical arterial em bebês é realizado com o neonato em posição supina em berço aquecido. O médico identifica uma das artérias umbilicais, dilata-a com uma pinça e insere o cateter até a aorta descendente.

Recuperação

A recuperação após um cateterismo depende do tipo realizado e se o dispositivo permanecerá em uso domiciliar. As recomendações gerais podem incluir:

  • Repouso para prevenir hemorragias e hematomas graves;
  • Participação em programas de reabilitação cardíaca estruturada para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida (após cateterismo cardíaco);
  • Mudança no estilo de vida, incluindo controle de peso, pressão arterial, glicemia e colesterol, alimentação saudável, prática de exercícios físicos e cessação do tabagismo;
  • Ingestão de 2 a 3 litros de água por dia para auxiliar na limpeza da bexiga.

É importante monitorar diariamente o local de inserção do cateter para detectar sinais de inflamação ou infecção, como vermelhidão, inchaço, sensibilidade ou secreção.