Ao escolher um hospital, é fundamental considerar aspectos como uma estrutura sólida, gestão de risco eficaz, protocolos de segurança básicos, e medidas para a prevenção e controle de infecções. Adicionalmente, um hospital de excelência deve cultivar uma cultura centrada na pessoa e em sua família, possuir uma estrutura especializada e contar com recursos humanos capacitados e adequados.
É importante notar que o que constitui o “melhor” hospital pode variar de pessoa para pessoa, pois as prioridades individuais e as necessidades específicas influenciam a percepção. Algumas pessoas valorizam a comunicação clara e a empatia da equipe, enquanto outras dão mais peso à infraestrutura e à gestão administrativa da instituição.
1. Estrutura e gestão de risco
A qualidade da estrutura física e a eficácia da gestão de risco hospitalar são pilares fundamentais para a segurança do paciente e indicativos de um bom hospital.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige a implementação de Núcleos de Segurança do Paciente (NSP) em todos os hospitais. Esses núcleos são responsáveis por promover uma cultura de segurança e gerenciar os riscos dentro do ambiente hospitalar.
A existência de um Plano de Segurança do Paciente (PSP) é igualmente crucial. Este plano identifica potenciais situações de risco e descreve as estratégias para prevenir e mitigar incidentes durante a estadia do paciente na instituição.
Hospitais de alta qualidade também realizam o monitoramento e a notificação regular de incidentes e eventos adversos à Anvisa, o que facilita a detecção precoce de problemas e o aprendizado contínuo para evitar futuras ocorrências.
2. Protocolos básicos de segurança
Um hospital de referência se destaca pela implementação e adesão rigorosa a protocolos de segurança essenciais, visando prevenir as falhas mais comuns.
Os protocolos obrigatórios e fiscalizados pela Anvisa incluem:
- Higiene das mãos: Disponibilidade de álcool em gel nos pontos de atendimento e incentivo à correta higienização das mãos para prevenir a transmissão de infecções.
- Identificação segura do paciente: Utilização de, no mínimo, dois identificadores (como nome completo e data de nascimento), frequentemente através de pulseiras, antes da administração de medicamentos, transfusões de sangue, realização de exames ou procedimentos cirúrgicos.
- Cirurgia segura: Aplicação de listas de verificação (checklists) antes da anestesia, da incisão e da saída da sala cirúrgica, assegurando que o procedimento e o local a ser operado estejam corretos.
- Segurança com medicamentos: Protocolos para minimizar erros na prescrição, dispensação e administração de medicamentos, garantindo a correta administração ao paciente certo, na dose certa, pela via certa e no horário certo.
É também importante avaliar o risco de todos os pacientes internados e implementar medidas protetivas, como grades nas camas, pisos antiderrapantes e mudanças frequentes de posição para pacientes acamados, a fim de prevenir lesões por pressão (escaras) e quedas.
3. Prevenção e controle rigoroso de infecções
A Anvisa preconiza que hospitais de excelência adotem uma política de tolerância zero em relação às Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS).
Portanto, um hospital de ponta deve possuir diretrizes claras para a prevenção de infecções do trato urinário associadas ao uso de cateteres, pneumonia associada à ventilação mecânica, infecções no sítio cirúrgico e infecções relacionadas a cateteres vasculares.
4. Cultura centrada na pessoa e na família
Um hospital exemplar deve promover uma cultura focada no paciente e em sua família, pautada pela empatia, compaixão e pela capacidade de responder às necessidades, valores e preferências individuais de cada paciente.
Pontos fundamentais no cuidado centrado no paciente e na família incluem:
- Dignidade e respeito: Profissionais de saúde devem ouvir e valorizar as perspectivas e escolhas dos pacientes e seus familiares, incorporando seus conhecimentos, valores, crenças e origens culturais no planejamento do cuidado.
- Compartilhamento de informações: Profissionais de saúde devem comunicar e compartilhar diagnósticos, opções de tratamento e riscos de forma completa, clara e imparcial com pacientes e seus familiares.
- Participação: Pacientes e seus familiares devem ser encorajados e apoiados a participar ativamente do cuidado e das decisões clínicas.
O envolvimento da família – entendida como as pessoas que o paciente escolhe para ter por perto, em quem confia e com quem tem um bom relacionamento, e não necessariamente apenas os laços consanguíneos – é essencial no processo de cuidado. A família pode oferecer conforto, apoio emocional e informações cruciais sobre o histórico médico do paciente. Além disso, em situações em que o paciente não pode participar das decisões (como crianças, pacientes sob anestesia ou inconscientes), a responsabilidade pode ser delegada a um familiar.
5. Excelência nos resultados clínicos
A excelência nos resultados clínicos é um indicador importante ao se avaliar um hospital.
Hospitais de alto padrão apresentam baixas taxas de mortalidade institucional e baixos índices de reinternação não planejada (pacientes que necessitam retornar ao hospital em até 30 dias após a alta).
Essas instituições também utilizam protocolos e diretrizes clínicas padronizadas, baseadas em evidências científicas, para assegurar que os pacientes recebam o cuidado mais eficaz e adequado às suas necessidades.
6. Recursos humanos adequados e capacitados
Um hospital de excelência é aquele que dispõe de recursos humanos adequados e devidamente capacitados.
Hospitais renomados mantêm uma proporção adequada de enfermeiros por paciente, contam com profissionais altamente treinados, investem em educação continuada e capacitação comportamental da equipe, e promovem a colaboração interdisciplinar.
Ademais, esses hospitais implementam estratégias para prevenir erros humanos, como evitar a sobrecarga de trabalho, a realização excessiva de horas extras e jornadas de trabalho extenuantes para os profissionais de saúde.
7. Eficiência operacional
A eficiência operacional é uma característica indispensável ao buscar o melhor hospital.
Um hospital eficiente demonstra uma boa gestão de tempo e recursos, o que pode ser medido por indicadores como o tempo médio de internação e o tempo de espera para atendimento de emergência.
8. Uso de tecnologia avançada
O emprego de tecnologia avançada, como prontuários eletrônicos integrados e sistemas de análise preditiva para monitoramento de riscos, é uma prática comum entre os melhores hospitais.
Essas tecnologias são cruciais para a prevenção de erros em diversas áreas, incluindo administração de medicamentos, registro e identificação de pacientes, e a realização de exames desnecessários que possam expor o paciente a radiações.
9. Acreditações e certificações de qualidade
Um hospital de excelência busca obter acreditações e certificações de qualidade, participando de programas como o QUALIS (Programa de Qualificação dos Prestadores de Serviços de Saúde da ANS), a ONA (Organização Nacional de Acreditação) e a JCI (Joint Commission International).
Esses certificados e acreditações são concedidos após os hospitais passarem por avaliações externas e independentes.
As acreditações promovem a transparência, exigem a calibração de equipamentos e consolidam a adoção de melhores práticas hospitalares de forma contínua.
10. Estrutura especializada
Ter uma estrutura especializada, que abrange recursos materiais, humanos, físicos e organizacionais, é outro fator determinante ao procurar o melhor hospital.
Um hospital com estrutura especializada deve contar com unidades de alta complexidade, como Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) segmentadas (adulto, pediátrica e neonatal), centros cirúrgicos e obstétricos bem equipados, e serviços de diálise e medicina nuclear.
Além disso, hospitais de ponta frequentemente organizam a prestação de serviços em “linhas de cuidado”. Dessa forma, a estrutura física e toda a jornada de atendimento são planejadas de acordo com uma condição de saúde específica ou uma especialidade, otimizando recursos e agilizando o tratamento do paciente.
